domingo, 29 de dezembro de 2013

Livros lidos em 2013

Este ano voltei a ler Murakami e pela primeira vez o autor chinês Mo Yan vencedor do prémio Nobel 2012, numa fascinante história de uma família ao longo do século XX. Também li sobre a Coreia do Norte, livro/diário do português José Luís Peixoto. O Oriente é ainda um mistério para mim mas gostei de ficar a saber um pouco mais. O livro da Zadie Smith foi o mais desejado. Há mais de um ano que aguardava a sua tradução. Não correspondeu às expectativas. É um livro triste. Os outros livros que li dela eram bem humorados. Destaco ainda o livro da Alice Vieira sobre a escritora de livros infanta-juvenis Enid Blyton que li duas vezes. Eu continuo a amar os livros que li dela quando era criança e adolescente. Fiquei chocada ao descobrir que a escritora não era uma velhinha querida mas sim, ao que parece, uma mulher com muitos defeitos e poucas virtudes mas para mim o que permanece é a felicidade que senti ao ler todas aquelas aventuras vividas por jovens e eu poderia ser um deles e pertencer ao clube e comer lanches deliciosos enquanto combinavam estratégias para apanhar criminosos ou andar num colégio interno com meninas fúteis e fazer ceias secretas durante a noite.

domingo, 25 de agosto de 2013

O Aqueduto das Águas Livres e os seus Chafarizes

O Aqueduto das Águas Livres foi construído ao longo dos séculos XVIII e XIX, nos reinados de Dom João V e Dom José I, com o propósito de fornecer água ao povo de Lisboa. Foi também durante essas décadas que foram sendo construídos os chafarizes que iriam receber as águas do aqueduto. Segundo o portal dos monumentos apenas restam 20 desses chafarizes na cidade de Lisboa. Os outros foram destruídos, pelo terramoto de 1755 ou porque os terrenos foram usados para outros fins. Decidi ir à procura desses chafarizes para os fotografar. Metade deles eu já tinha visto mas não sabia que todos tinham ligação ao aqueduto, a outra metade não creio ter visto antes deste projecto a que me propus. Toda a informação sobre os chafarizes que publiquei nos meus posts foram retiradas do portal dos monumentos (www.monumentos.pt).

sábado, 17 de agosto de 2013

O Chafariz da Esperança (Avenida D. Carlos I)

Chafariz urbano, projectado em 1752 por Carlos Mardel, integrado no ramal da Esperança. Segue a tipologia de chafariz de espaldar, disposto em dois níveis, ligados por escadas laterais. O Chafariz que apresenta elementos barrocos e pombalinos, mostrando o tipo de formação do responsável pela sua concepção, o engenheiro Carlos Mardel. Possui um alto teor cenográfico, o mais elaborado de todos os que foram construídos neste programa de abastecimento de água e que resistiu ao adossamento de um edifício. Apresenta dois níveis de tanques, cada um com o seu espaldar, o inferior simples, dividido por pilastras toscanas, rematado por platibanda com elementos esferóides, contrastando com a zona superior, mais exuberante, com o espaldar dividido por parastases, com um jogo de pilastras, algumas em silharia fendida e colunas, que definem painéis com almofadados do tipo pombalino, de perfis recortados e por um elemento transversal a todos os chafarizes do período, uma tabela, assente em falsas mísulas com pingentes. Ao centro, reentrante, surgem as armas reais, rodeadas por concheados, festões e encimadas por coroa fechada. Apesar do recurso à ordem toscana nos elementos estruturais, o engenheiro recorre à utilização de um friso dórico no remate, com os típicos triglifos e métopas, ornadas por rosetas. As bicas são em forma de carrancas, que emergem de elementos concheados, a única alusão à água em todos os elementos decorativos, estas vertem, no registo inferior para um tanque único, baixo e de perfil contracurvo, destinado aos animais, recebendo, os sobejos dos tanques superiores, estes em número de três e de planta quadrangular. Remata em pináculos na forma de vasos floridos, encimados por alcachofras.

O Chafariz do Largo do Rato

Chafariz urbano, projectado em 1752 por Carlos Mardel, integrado no ramal do Loreto. Segue a tipologia de chafariz de espaldar, com um forte carácter cénico barroco, disposto em dois níveis, ligados por escadas laterais, com duas bicas em forma de florão. Possui um teor cenográfico, apesar de diluído pelo alargamento do largo em que se insere, incrementado pela construção de um nicho miradouro sobre o muro a que se adossa a estrutura, semelhante aos lanternins que sobrepujam alguns troços do Aqueduto das Águas Livres, nomeadamente o de Campolide. Apresenta dois níveis de tanques, cada um com o seu espaldar, o inferior simples, dividido por pilastras toscanas, rematado por platibanda, contrastando com a zona superior, mais exuberante, com o espaldar dividido flanqueado por pilastras e aletas, tendo o pano marcado por várias almofadas que parecem sustentar a estrutura do remate, em friso e cornija, e pela tabela que, ao contrário de outros chafarizes contemporâneas, se apresenta contracurva, rematando em botão, encimado pelos típicos lacrimais. As bicas são projectadas, em forma de campânulas, ornadas por acantos, que vertem para dois tanques semicirculares, de perfil galbado e bordo boleado, chapeado a ferro e possui réguas para sustentação do vasilhame. O remate é clássico, com pequeno frontão triangular e urnas, a central mais elaborada, sustentada por plinto ornado por volutas. No lado direito da estrutura, adossada ao muro, fica a caixa de água, de planta quadrangular, com estrutura em cantaria e cobertura em três águas do mesmo material, flanqueada por pilastras toscanas e rasgada por porta de verga recta, emoldurada e encimada por bandeira, actualmente entaipada, tendo o vão protegido por porta metálica pintada de verde. O chafariz segue, o esquema mardeliano com dois níveis de saída de água, o elevado para a população, com tanques individualizados, e o inferior para os animais, semelhante ao Chafariz da Esperança apesar de se apresentar menos exuberante.
Conheço este chafariz desde criança e ainda me lembro de subir as suas escadas, quando regressava da escola com a minha mãe. Por isso ele tem de ser especial para mim.

O Chafariz da Rua São Sebastião da Pedreira

Chafariz urbano, projectado em 1787 por Francisco António Cangalhas e Reinaldo Manuel dos Santos, que recebia água a partir do ramal de Santa Ana. Segue a tipologia de chafariz de espaldar, com duas bicas simples. Implantado numa pequena praça, do tipo caixa de água, de planta rectangular, disposto em dois níveis, ligados por escadas laterais, a do lado esquerdo construída no século XX, cada um deles com espaldar individualizado, o inferior mais simples, com panos almofadados dividido por pilastras toscanas onde surgia uma bica que vertia para tanque rectangular, de perfil galbado e bordo saliente. O nível superior tem amplo espaldar, com o chafariz, propriamente dito, ao centro, emoldurado, com a base mais larga e rematado por cornija contracurva, com bola no topo, e tendo as armas reais. Tem duas bicas em bolacha, que vertem para tanque rectangular, de perfil galbado e com réguas para apoio ao vasilhame. Está ladeado por respiradouros circulares e por duas portas de acesso à caixa de água.
Este é um dos meus chafarizes preferidos e que há pouco tempo descobri por acaso. Foi por causa dele que decidi fotografar os 20 chafarizes que ainda existem na cidade de Lisboa e que foram construídos para receber as águas do Aqueduto das Águas Livres.

O Chafariz das Águas Boas/Convalescênça (Estrada de Benfica)

Chafariz urbano, projectado em 1791, talvez por José Theresio Micheloti, que recebia água directamente a partir da conduta principal das Águas Livres. Segue a tipologia de chafariz de espaldar, com elementos decorativos neoclássicos. De construção tardia, reflecte decoração essencialmente tardo-barroca, destacando-se a cobertura decorada em escama de peixe, e espaldar de apainelados, definido por pilastras toscanas flanqueadas por silharia fendida sobrepostas de aletas, terminada em cornija e com cobertura em coruchéu tronco piramidal coroado por urna; o espaldar apresenta base galbada, ornada de drapeados envolvendo duas bicas circulares, sobreposta por duas cartelas recortadas, uma inscrita e outra contendo brasão nacional; tanque de planta rectangular de ângulos curvos e perfil galbado, com bordo achatado, tendo dois pilares e réguas metálicas para apoio de vasilhame. Aos panos laterais, adossam-se bancos de cantaria sobre consolas e surgem portas de verga recta e moldura simples, de acesso à parte posterior, onde se encontra a arca de água. O tanque lavadouro, adossado à fachada lateral esquerda da arca de água, possui planta rectangular servido por bica simples.